A Orgia Sepulcral

A Orgia Sepulcral


O corvo salta a árvore abaixo, sedento
Contempla ávido os restos de Prazer no chão
Sua amiga que vidas alheias finda por ofício
Trouxe-lhe um presente pútrido e repulsivo
Como recompensa por seus olhos leais
E sua fidelidade carniçeira

O lobo negro com fogo no olhar
Sente o cheiro familiar da Morte
E se aproxima calmo, como bom servo
Aguardando que a companheira gélida
Pague-lhe seu rasteiro soldo
Ainda que a voracidade cavalgue seu âmago

A áspide rastejante do Ódio
Seduz-se com a beleza do espetáculo torpe
Deslizando pelo corpo visceralmente exânime
Sentindo conforto e calor, inconsciente
No berço imundo da miserável Mãe
Que a todos afaga no Fim

A viúva-negra, em arrogante ensejo
Experimenta o asco ao dar por conta o Desejo
E nos ossos moribundos, desfila sombria
Sua alma, já tão vazia, percebeu o silêncio
Regozijando-se na morbidez pálida do mármore branco
Uma cova aberta, como ventre vazado

Nas lápides não se via lembrança
Das noites de devassidão herética
Frente ao cemitério calado e escuro
Cujos fantasmas pactuavam em ritos
Com toda a sorte de dor
Num reino esquecido de névoas e sombras
Em algum lugar do Coração